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História
A freguesia de Porto Salvo foi até 10 de Junho de 1993 um simples lugar da freguesia de Nossa Senhora da Apresentação de Oeiras.
Entretanto, o progresso registado justificou a elevação à categoria de freguesia, anseio antigo da sua população. É hoje a segunda maior freguesia do concelho, mas uma das menos populosas, criada pela Lei nº17-J93, de 11 de Junho.

Segundo a tradição, o lugar de Porto Salvo foi construído pelos tripulantes de uma nau da Índia, na altura dos Descobrimentos Portugueses. No meio de um fortíssimo temporal, prometeram à Virgem que, caso se salvassem, edificariam uma ermida no primeiro alto que vissem em terra.


Assim aconteceu, a sorte protegeu-os e a devoção a Nossa Senhora de Porto Salvo não parou de aumentar. Desde aí, todos os navios que chegavam à barra do Tejo disparavam uma salva de vinte e um tiros em honra daquela invocação. Um costume que se manteve até ao século passado, mas que entretanto se perdeu. Além desta explicação para a origem de Porto Salvo, existe uma outra, relacionada também com os marinheiros portugueses mas muito mais verosímil. Ao que parece, este cume em que se eleva a actual freguesia serviu ao longo dos séculos como ponto de orientação para os barcos que arribavam à costa portuguesa. Daí o nome de Porto Salvo que acabou por ficar.


A tal capela consagrada a Nossa Senhora do Porto Salvo, que diz o povo ter sido construída por aqueles heróicos homens, é o monumento mais significativo desta freguesia. Arruinada pelo tempo, foi reconstruída no século XVIII. A fachada, alpendrada e de tipo rústico, possui dois painéis de azulejos, pintados por António de Oliveira Bernardes. O interior, de uma só nave, é também decorado com azulejos, datados de 1734.


Representam cenas da vida da Virgem e dos primeiros anos de Jesus Cristo. Refere M. P. Videira, em “Monografia de Paço de Arcos”, que “o aspecto actual da ermida mantém a rusticidade antiga e o tipo tão português das capelinhas rurais com alpendre fronteiro.”


Outro templo muito simples mas de grande qualidade estética é a capela dedicada a Nossa Senhora do Socorro, em Leião. Este lugar, refira-se, era um dos extremos norte do antigo reguengo de Oeiras, no século XIV. Setecentista, tem uma frontaria marcada pela força dos cunhais. O pórtico é rústico e merece ser observado com atenção. Quanto ao interior, foi desvirtuado por reconstruções de duvidoso mérito.

Em 1679, por ordem de D. João V, aqui foi construída uma fortaleza, projectada pelo conde de Cantanhede, depois marquês de Marialva, que visava a defesa da barra do Tejo e a protecção de novas investidas espanholas. Apesar do nome, este forte encontra-se já no termo da freguesia de Paço de Arcos. Até ao século XVIII, Porto Salvo foi um obscuro lugar, parte integrante da chamada “vintena da Caspolima”. Não tinha qualquer importância sob o ponto de vista económico ou político. A partir daí, tudo mudou. É construída uma nova igreja paroquial e o povoado cresce em poder, pelo menos a nível religioso. O grande desenvolvimento, no entanto, ocorreu já neste século, e daí a elevação à categoria de freguesia em 1993.


Foi 1.º Visconde de Porto Salvo Henrique José da Costa, fidalgo-cavaleiro da casa real e opulento proprietário. Nasceu em Lisboa em 10 de Março de 1808 e morreu em Brescia, Itália, em 10 de Junho de 1877. Recebeu o título das mãos de D. Miguel. O seu irmão, Heliodoro Costa, fora encarregado pelo rei absolutista de angariar em Itália dinheiro para a sua causa política. O enviado real morreu e toda a sua fortuna, calculada em mais de dois mil contos de réis, passou para as mãos daquele que viria ser visconde de Porto Salvo. Diz Pinho Leal sobre a forma como vivia Henrique da Costa Pereira: “O visconde tinha uma quinta magnífica em Como, Itália, e muitas propriedades naquele reino. Em, Milão, tinha um palácio luxuoso e uma bela casa em Veneza.

 

Em Portugal era dono do palacete da calçada dos paulistas, em frente ao palácio do sr. conde de Mesquitela. Quando morreu, em Itália, o visconde de Porto Salvo deixou a sua imensa fortuna a três sobrinhos. Um dos três herdeiros é estudante de direito na Universidade de Coimbra, e os outros dois são oficiais do exército.”
 
[Reprodução Audio] Data de 24-10-2008
 
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